Longamente esperada, chegou finalmente a primeira jornada dedicada à sementeira de bolota, uma jornada para a qual apelámos a uma participação especialmente generosa, não, é claro, para ganhar um lugar no pódio da Grande Bolotada Ibérica, mas porque temos muitas bolotas para semear, e onde as semear.
As bolotas foram retiradas da câmara frigorífica onde tinham ficado guardadas desde a colheita e uma parte esteve de molho na noite anterior à sementeira numa solução com um repelente de roedores, numa tentativa experimental de diminuir a predação sobre as bolotas semeadas. Um inconveniente desta medida é que a solução é irritante para a pele, olhos, nariz, etc, não obstante ser feita à base de extractos de plantas. Isto é, é uma solução “repelente” também para os humanos, o que torna um pouco mais desagradável o trabalho de sementeira e requer alguns cuidados.
Os trabalhos iniciaram-se perto do Feridouro, com a presença de uma equipa de reportagem do canal televisão SIC, que acompanhou o arranque da iniciativa. Naturalmente, começou-se com um momento de formação.

Aqui fica também a ligação para a peça de reportagem da SIC.
Depois de um “ensaio” numa pequena várzea junto ao ribeiro ainda a “transpirar” mimosas, a equipa passou a uma parcela “a sério”, uma encosta de quase 3 ha voltada para norte, para a aldeia do Feridouro. Esta parcela, ardida em 2017, ainda tem rebentos de eucalipto, que serão removidos gradualmente, e tem também um matagal denso e difícil de atravessar, que por isso foi já em parte cortado por uma equipa de sapadores florestais. Esta é uma das já raras parcelas onde não entrou uma máquina de mobilização do solo, nem sequer de dentes, e, talvez em parte por isso, é também um dos já raros locais da freguesia onde se podem encontrar pés de azevinho espontâneo. Por aqui se andou o resto da manhã, progredindo de nascente para poente.




O almoço foi outra vez à mesa na base de operações da Quinta das Tílias, porque à tarde andaríamos por mais perto de Belazaima.


A área alvo foi agora uma área delimitada pelo vale do Lousadelo e pela represa de regadio, no Ribeiro de Belazaima. Os eucaliptos aqui existentes foram alvo de uma aplicação de herbicida, pois não foi possível aqui realizar em devido tempo a mais benigna operação de corte repetido da rebentação. Ao longo do vale do Lousadelo, para além da dificuldade de movimentação originada pelas ramadas de eucalipto que ficaram no solo, constata-se a relativa abundância de plantas nativas rebentadas após a destruição causada pela queda dos eucaliptos: carvalhos, murtas, medronheiros, sobretudo. A encosta voltada para a represa é bastante inclinada e com orientação norte, o que favorece a presença do carvalhal. Esta área consta no PDM de Águeda como área de “Espaços Naturais”. O problema é que um espaço não se transforma em “natural” só porque assim está no instrumento de ordenamento. Aliás, o mesmo Estado que produz um instrumento como este também faz coisas como licenciar plantações de eucaliptos nesses mesmos espaços que considera “naturais”, o que parece uma manifesta contradição. Ou será que “naturais” é um termo ambíguo?! A verdade é que se nos detivéssemos demasiado em discussões à volta do assunto, provavelmente não faríamos o que realmente é necessário para tornar esse espaço “natural”: semear bolotas, para começar!






A equipa foi progredindo durante a tarde, mas ainda ficou muito longe de semear toda esta área, com quase 3,5 ha. Voltou à base da Quinta, para o lanche e a foto de encerramento.

Fez-se uma boa estimativa de 11 000 bolotas semeadas (a expectativa referida na peça da SIC era demasiado optimista, 500 bolotas por dia por voluntário é mais realista!), que já deram “entrada” no “bolotómetro” da Grande Bolotada Ibérica! Obrigado a todos os presentes nesta jornada!
Marcamos desde já encontro para mais uma grande bolotada, já no próximo dia 9 de Novembro. Até lá, com expectativas positivas de mais uma generosa equipa de voluntários!
Paulo Domingues
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