Carvalhal

Tomando a carta de distribuição das quercíneas em Portugal como o principal indicador do tipo de coberto vegetal dominante no local, rapidamente se conclui estarmos na área de predominância do carvalho-roble (Quercus robur), espécie característica dos bosques atlânticos de clima temperado mas que, graças aos ventos húmidos do oceano e aos solos capazes de conservar a humidade, se adentra pelas regiões de clima mediterrânico do norte e centro do país. E no entanto os verdadeiros bosques de quercíneas são na região virtualmente inexistentes, fruto da milenar intervenção humana. No entanto, se não sobreviveram os bosques, sobreviveram árvores isoladas ou pequeníssimas manchas, e aí não há dúvida que o carvalho-roble, frequentemente consociado com o sobreiro (Quercus suber), é a quercínea potencialmente dominante. Na página “A ocupação humana” tenta-se descrever a paisagem local e a sua interacção com a vegetação espontânea, desde as últimas fases da economia de subsistência até aos dias de hoje.

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A distribuição das Quercus espontâneas em Portugal,  em “Geografia de Portugal, II. O Ritmo Climático e a Paisagem”, Orlando Ribeiro e Hermann Lautensach, comentários e actualização de Suzanne Daveau.
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Carvalhal, aqui nas margens do Ribeiro de Belazaima, a montante do Feridouro

No entanto, é interessante verificar que, num espaço tão pequeno como a anterior freguesia de Belazaima (agora unida às de Agadão e Castanheira) se podem encontrar, e sem dúvida que espontaneamente, várias outras espécies de quercíneas: em dois ou três locais do Cabeço Santo encontram-se alguns exemplares de azinheira (Quercus ilex), mesmo junto a Belzaima é possível encontrar vários exemplares de carvalho-negral (Quercus pyrenaica), e entre Belazaima e Alvarim pode-se encontrar o pequeno arbusto Quercus lusitanica.

O pinheiro-bravo, embora com frequência disseminado naturalmente, terá sido introduzido, bem como o castanheiro, embora neste caso seja ainda mais difícil avaliar o papel da intervenção humana na sua presença.

Entre os arbustos do sub-bosque, sobreviveram localmente, embora em geral dissociados do contexto florestal, espécies como o sabugueiro (Sambucus nigra), o loureiro (Laurus nobilis), o azevinho (Ilex aquifolium) e o pilriteiro (Crataegus monogyna). Os primeiros dois foram alvo de algum aproveitamento e talvez por isso sobreviveram em maior abundância. O azevinho espontâneo chegou ao sec XXI no limiar da extinção, e o pilriteiro muito disperso, embora com um exemplar de invulgares dimensões. Entre os arbustos do sub-bosque do carvalhal há ainda a referir o sanguinho-de-água, ou amieiro-negro (Frangula alnus), que talvez tenha sobrevivido nas margens dos cursos de água. Já quanto ao medronheiro, que por vezes também ocorre no sub-bosque do carvalhal, tem um presença mais expressiva como espécie dominante de um habitat diferente – o medronhal.

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Grande pilriteiro, em conjunto com loureiros, no sub-bosque de uma mancha de carvalho e sobreiro, na testada de uma terra na Várzea-de-Além, Belazaima

Vale a pena referir também duas espécies arbustivas que talvez tivessem feito parte dos bosques originais desta região mas das quais hoje não encontramos aqui vestígios, embora, pelo menos uma delas, tenha presença expressiva na vizinha Mata do Buçaco: falamos do azereiro (Prunus lusitanica) e do folhado (Viburnum tinus). Muito características dos bosques de quercíneas seriam também as trepadeiras; entre elas, a madressilva (Lonicera periclymenum) e a hera (Hedera helix) seriam as mais abundantes, já quanto às silvas (Ulmus spp.) não seriam tão extensamente distribuídas como em ambientes de transição (antigas terras agrícolas, tipicamente). Outra espécie muito característica destes bosques é a gilbardeira (Ruscus aculeatus), que se encontra também, embora de menor porte, nas áreas de medronhal.

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Madressilva em flor num carvalho jovem da zona do Cambedo (Cabeço Santo)