Uma jornada em Agosto

Uma semana depois, eis a memória da jornada especial de 8 de Agosto.

Foi uma jornada dedicada à observação e ao cuidado das árvores e arbustos mais recentemente instalados: primeiro as bolotas semeadas durante a grande bolotada ibérica e depois as árvores e arbustos plantados já no final do Inverno.

As actividades iniciaram-se numa pequena várzea junto ao ribeiro, no Feridouro, que foi também onde se iniciou a bolotada de 2019/20, com honras de reportagem televisiva. Também lá foram plantadas posteriormente algumas árvores e arbustos. Entretanto, passou-se a Primavera e parte do Verão, cresceram ervas e silvas, e era tempo de lá voltar, para descobrir e desafogar as plantas de origem seminal e cuidar as plantadas, também desafogando e regando.

As ervas (gramíneas), se por um lado cresceram vigorosamente na Primavera, mercê de um solo fértil (esta várzea já tinha sido, há muitos anos, cultivada) competindo e “afogando”, sobretudo as pequenas plantinhas de origem seminal, por outro lado tiveram o positivo efeito de limitar a ocorrência de mimosas. Não devemos esquecer que esta parcela estava ocupada por grandes mimosas e o banco de sementes deve ser abundante. E realmente observou-se que, nalguns locais onde cresceram menos ervas, apareceram mais mimosas. Mas em geral e para já, a ocorrência de mimosas não era preocupante. Na várzea, claro, já que nas áreas circundantes a situação é diferente, para pior…

Deste modo, os voluntários tinham de procurar, assinalar as pequenas plantas e limpar em torno delas, tendo também trabalhado quase todo o tempo uma moto-roçadora, triturando o silvado e outras plantas mais inconvenientes.

Constatou-se que a presença de carvalhos de origem seminal era significativa, embora irregular (muitos numa parte e menos noutra) e que havia algumas baixas nas árvores plantadas, mas a maior parte estava lá “ansiando” pelos cuidados que agora chegavam.

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Um amieiro plantado este ano
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Um dos cuidados que tiveram as jovens plantinhas foi a rega
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Também houve voluntários dedicados às mimosas, na vizinhança
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Apesar das clareiras e da presença das mimosas, são os carvalhos que por aqui foram sobrevivendo que chamam a atenção
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Um carvalho de origem seminal, que até parece demasiado grande para ter nascido este ano!
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Um castanheiro de rebentação de toiça
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Perspectiva da várzea, ao se finalizarem os trabalhos (vê-se a sinalização mas escassamente as plantinhas sinalizadas!)

Quando a manhã ia a meio o sítio estava num “brinquinho” e era tempo de passar a outro um pouco a jusante, este já só com árvores plantadas, numa encosta voltada para sul, para as estreitas várzeas da Chousa. Apesar das condições difíceis, muitas árvores tinham sobrevivido até agora, e a rega foi o principal cuidado que tiveram. Mas, como no sítio anterior, alguns voluntários também se dedicaram ao corte de mimosas, que nesta zona são ainda uma grande ameaça.

Depois de um almoço junto à capela de S. Francisco e do tão apreciado relaxamento, a equipa deslocou-se umas centenas de metros para jusante, para regar as árvores plantadas na encosta do Lousadelo/Represa. Aqui também se tinham semeado bolotas, aliás, também na primeira jornada de sementeira, continuando na segunda, e, para grande surpresa dos voluntários, apesar das condições difíceis, encontrava-se grande quantidade de carvalhos de origem seminal: às vezes num local onde se tinham semeado três bolotas estavam três carvalhos! Animados por esta feliz constatação, os voluntários trabalharam com ainda maior determinação na rega dos arbustos, estes, claro, em maiores dificuldades, pois tiveram que suportar um longo período de seca ainda com débil enraizamento. No entanto, e apesar disso, as baixas não eram elevadas e só os pilriteiros pareciam estar em maior stress. Alguns voluntários também se dedicaram ao corte de rebentos de eucalipto, dos que sobreviveram às operações anteriores.

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Os carvalhos de origem seminal eram abundantes
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Regou-se e cortaram-se rebentos de eucalipto
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Embora a mangueira tivesse 50 m, o regador foi um complemento útil
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Os pilriteiros eram os que estavam mais “aflitos”, mas com a rega, ficaram aliviados!
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Três carvalhos de origem seminal muito perto uns dos outros, por certo resultantes de três bolotas que aqui foram semeadas.
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Uma foto da equipa do dia tirada ainda no Feridouro, pois dois voluntários tiveram de se ausentar a seguir ao almoço.

Os 800 litros de água levados deram à justa para regar quase todas as plantas e já passava bem das 18 horas quando os trabalhos se deram por concluídos. Tinha sido uma jornada especial bem produtiva e animada! Obrigado a todos os voluntários e em especial ao Nelson pelas fotos.

Agora fazemos umas pequenas férias voluntárias para regressar no 14º aniversário do Projecto Cabeço Santo! Até breve!

Paulo Domingues

2 Replies to “Uma jornada em Agosto”

  1. Espectacular. Três bolotas colocadas pertinho até poderia ter sido eu, mas que me lembre não as semeava assim tão pertinho, eh eh eh. Ah valorosos voluntários, que tratam bem das sementes que outros espalharam. É por coisas destas que sabe bem sermos voluntários, o nosso esforço não é para ficar abandonado à sua sorte. Bem gostava de ter ido regar também, mas não deu, fui regar para outra freguesia. Bom trabalho e até breve

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