Uma jornada primaveril

A jornada de 5 de Maio decorreu no primeiro Sábado de Primavera sem ocorrência de chuva, e, de facto, já com o Verão a anunciar-se. Foi participada por 9 voluntários de manhã, que depois se reduziram a 7 à tarde.

Foi um dia quase todo dedicado ao eucalipto! E no entanto em parcelas com historiais bem distintos. De manhã cortaram-se rebentos no Vale da Várzea, ainda bem perto de Belazaima, numa parcela em início de intervenção. Aqui tinha já operado uma máquina a partir tocos com enxó, mas, devido ao declive elevado, não tinha conseguido chegar a todos. No Outono também já se tinham aqui semeado bolotas. Para além disso existe, em alguns locais, bastante rebentação de sobreiro e de carvalho. Deste modo, não seria uma boa opção fazer aqui uma aplicação de herbicida, pelo que se optou pela mais trabalhosa solução de corte da rebentação com machadinhas de mão. Aqui se trabalhou toda a manhã, quase “limpando” toda a parcela da rebentação.

Mas não foi só: na parcela da Benfeita, umas centenas de metros para montante, ficaram duas voluntárias a cuidar das árvores, sobretudo as plantadas no ano anterior, pois são as que mais precisam de trabalhos de remoção da vegetação concorrente. Foi também um trabalho para toda a manhã.

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Voluntários no trabalho de corte de rebentos de eucalipto
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Uma opção possível para a desvitalização das toiças é uma operação mecânica com enxó. Mas está limitada nas áreas declivosas.
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Não se observam para já em grande número, mas aí estão alguns carvalhos provenientes de sementeira
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Vista da aldeia (2º plano) e das terras agrícolas das Várzeas (1º plano) a partir da parcela do Vale da Várzea
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O trabalho das duas voluntárias cuidadoras de árvores desenrolou-se aqui, perto do tanque de rega da Benfeita (MF)
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As flores, é claro, não podem deixar de chamar a atenção no mês de Maio. Em primeiro plano uma urze Erica umbellata (MF)
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As duas voluntárias dão a manhã por terminada

Na hora de almoço todos os voluntários se encontraram na base de trabalho da Quinta das Tílias para o almoço. À tarde rumaram à mata da Altri Florestal, mas como estava calor e o trabalho da manhã tinha sido exigente, fizeram uma paragem de meia hora à sombra dos carvalhos do Vale de Barrocas, com as (ainda) abundantes águas do ribeiro correndo bem perto.

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A caminho do Vale de Barrocas, o João Pedro (JP) captou esta perspectiva de um “carqueijal” em flor. Mas lá pelo meio estão muitas árvores e arbustos plantados em 2015/16
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Carvalho plantado em 2016/17 (JP)
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A magia da Primavera (JP)!
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O ribeiro, em cujas margens os voluntários descansaram (MF)
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Descansaram? Nem todos. Alguns aproveitaram para continuar a trabalhar! (JP)
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Os carvalhos da zona ribeirinha com a nova área de intervenção do Vale de Barrocas em 2º plano (MF)

Foi um merecido descanso. Depois dele o trabalho numa área difícil: a zona ribeirinha da mata, a montante da confluência dos vales nºs 3, 4 e 5. Esta área foi difícil logo desde a primeira intervenção, em 2008: os declives são elevadíssimos e os eucaliptos queimados em 2005 ficaram quase todos espalhados pelo chão tornando qualquer movimento extremamente difícil. Por isso os primeiros trabalhos tiveram um alcance limitado, apesar de terem incluído a plantação de algumas árvores. A longo dos anos a madeira queimada foi-se decompondo lentamente, mas muitos eucaliptos também voltaram a crescer. Em 2016, como apoio da Altri, foi possível colocar lá uma equipa de sapadores a cortar esses eucaliptos e a aplicar herbicida na superfície de corte. No entanto, a área foi de novo atingida pelo fogo, o de Abril de 2017, fez há poucos dias um ano. [Este incêndio requeimou madeira ainda não completamente decomposta de árvores ardidas em 2005!]. Na sequência desse evento constatou-se o surgimento de muitos rebentos de eucalipto, para além de germinação de mimosa, e, localizadamente, de acácia-de-espigas. No entanto, a vegetação autóctone também começou rapidamente a recuperar, não obstante os solos marginais em que se encontra.

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Rebentação de eucalipto em zona ardida em 2017. As mimosas, em 2º plano, já estão em zona não ardida
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Olhando um pouco para a esquerda, observa-se a língua de terra do “pé torto”, assim chamada por o ribeiro ali fazer uma curva apertada. Faz parte da nova área de intervenção de 2018
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Voluntários em acção. Observe-se o grande número de medronheiros, com rebentação de um ano, após o incêndio de 2017

A equipa voluntária dedicou-se ao corte da rebentação de eucalipto, já que também aqui seria impensável aplicar herbicida, e ao arranque de acácia-de-espigas, mas foi também a oportunidade para tentar perceber qual a melhor estratégia para abordar as manchas de mimosas que, quer em zona ardida em 2017 quer em zona não ardida, ainda são extensas nesta área. Com efeito, agora, que os eucaliptos na margem esquerda foram cortados e em que se planeia a recuperação de uma área muito significativa desse lado, juntamente com a criação, promovida pela Altri Florestal, de um percurso ribeirinho – a Estação da Biodiversidade – e tendo ainda em conta a fase bastante dinâmica que foi criada pelo incêndio de 2017 e pelo corte dos eucaliptos da margem esquerda, deveremos colocar nesta zona um esforço significativo para promover a sua recuperação.

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Recuperação do medronhal, apesar do solo rochoso em que se encontra
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Novíssima gilbardeira (Ruscus aculeatus)
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Zona de ocorrência de acácia-de-espigas (já arrancadas)
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As mimosas ainda são um problema grave nesta área, quer em zona queimada em 2017, quer em zona não queimada
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Na zona não ardida e não dominada pelas mimosas o matagal florido domina o coberto vegetal
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Viçoso medronheiro, ainda com os caules queimados em 2017 em pé
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Simethis mattiazzi, uma das herbáceas mais abundantes desta paisagem

Os trabalhos prolongaram-se até às 18 horas e a rebentação de eucalipto ficou aqui praticamente resolvida, por agora… Mas, como ficou patente, muito mais há para fazer ao longo deste difícil corredor ribeirinho. Por isso, voltaremos cá em breve.

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A equipa, com voluntária de apoio à cozinha, numa foto tirada ainda a seguir ao almoço, por dois voluntários terem de se ausentar

Maio é também o mês da visita anual à área de intervenção do projecto. Por isso os trabalhos farão uma merecida pausa. Mas sobre a visita, a realizar dentro de duas semanas, ainda haverá outro artigo a surgir em breve.

Obrigado a todos os voluntários! E à Margarida (MF) e ao João Pedro (JP) pelas suas fotos.

Paulo Domingues

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