Dia da Floresta Autóctone

O dia 23 de Novembro, dia da floresta autóctone, acordou frio e ventoso, mas com algum sol, o que fazia prometer um óptimo dia dedicado à plantação de árvores. No Cabeço Santo, seis voluntários de (quase) todas as idades reuniram-se logo pela manhã e, munidos de árvores, ferramentas, composto, tubos de protecção, e claro, comida, rumaram até ao Vale das Barrocas, a menos de 1 km do Feridouro, a área mais a jusante no Ribeiro de toda a área de intervenção do projecto. À espera estava um local que ainda dois anos antes estava densamente ocupado por eucaliptos, mimosas e silvado, mas que, depois de várias fases de trabalhos, a última das quais nos dois dias anteriores à jornada, ficou em excelentes condições para receber a plantação. Esta última fase tinha consistido na incineração das ramadas secas que ainda estavam em grandes montes no terreno e na limpeza do silvado e das mimosas entretanto surgidas, e foi um óptimo trabalho realizado por uma equipa da Associação Florestal do Baixo Vouga. Por outro lado, já identificadas e protegidas, estavam as poucas dezenas de árvores oriundas de uma sementeira realizada no ano passado (https://ecosanto.wordpress.com/2012/10/08/1a-jornada-de-outono/ ). Os tubos de protecção destas árvores foram identificados para que no futuro possamos distinguir as árvores oriundas de sementeira das de plantação.

Voluntários dando início aos trabalhos
Voluntários dando início aos trabalhos
Já no terreno, os tubos de protecção das árvores semeadas
Já no terreno, os tubos de protecção das árvores semeadas

As espécies a plantar foram carvalhos, localmente produzidos, e sobreiros e medronheiros, adquiridos em viveiro. O solo estava razoavelmente compactado devido a todos os trabalhos com maquinaria pesada realizados para retirar a madeira, mas ferramentas bem adaptadas e uma resoluta equipa de voluntários com todas as reservas de energia atestadas não se deixou intimidar, e os trabalhos começaram com animação.

Já do outro lado do ribeiro
Já do outro lado do ribeiro

Ao contrário das plantações anteriores, nesta não se usaram adubos químicos mas apenas composto orgânico, também produzido localmente, e cinzas, algumas das quais recuperadas no próprio local de plantação, resultantes das recentes queimadas.

Claro, como sempre, não foi só trabalho, também houve oportunidade de observar e admirar outras coisas que foram aparecendo: os cogumelos, abundantes nesta altura, um licranço (Anguis fragilis), que apareceu no meio do composto, os fetos do género Polypodium, elegantemente situados em cima de um muro antigo, e muitas outras belezas que por aqui se podiam admirar, não obstante todas as penas que esta paisagem já sofreu. No que toca às árvores e arbustos nativos já presentes, e para além de uma pequena mancha de carvalhos na encosta da margem sul do ribeiro, há a destacar os adernos, com vários exemplares dispersos, os loureiros, que colonizam já espontaneamente o terreno a partir de alguns exemplares grandes junto a uma ruína, e os salgueiros, que vão dando visibilidade ao curso do Vale das Barrocas, que com os trabalhos passados ficou bastante entulhado de lenha.

Pela hora do almoço os trabalhos estavam avançados
Pela hora do almoço os trabalhos estavam avançados
Cogumelos "comendo" uma toiça de eucalipto
Cogumelos “comendo” uma toiça de eucalipto
Um licranço apareceu no composto
Um licranço apareceu no composto
A ruína
A ruína
Polipódios no muro da ruína
Polipódios no muro da ruína
Gilbardeira
Gilbardeira
Em acção no coração do Vale das Barrocas
Em acção no coração do Vale das Barrocas
Com o ribeiro em fundo
Com o ribeiro em fundo
Vista da encosta sul
Vista da encosta sul
O ribeiro de Belazaima
O ribeiro de Belazaima

Pela hora de almoço já os trabalhos estavam muito adiantados, e ainda houve tempo para procurar (e descobrir) um trilho perdido na memória do tempo, que dava acesso a umas leiras muito estreitas existentes mais a montante e onde ainda voltaremos este Outono/Inverno. Mas pelas 15 horas deram-se finalmente por concluídos aqui os trabalhos. Um voluntário tinha que se ausentar pelo que a “foto de família” foi antecipadamente tirada.

Trabalhos concluídos
Trabalhos concluídos
Detalhe do muro de suporte de terras, laboriosamente construído ao longo de gerações
Detalhe do muro de suporte de terras, laboriosamente construído ao longo de gerações
Flores de medronheiro já se transformando em frutos
Flores de medronheiro já se transformando em frutos
Equipa, na despedida de um dos voluntários
Equipa, na despedida de um dos voluntários

Os restantes cinco voluntários deslocaram-se então cerca de 1,5 km para montante, para iniciar a plantação noutro local ainda disponível: a Ribeira do Tojo, mesmo em frente a outro grande vale que desce do Cabeço do Meio para o Ribeiro. As terras ribeirinhas, essas, já tinham sido plantadas a partir de Janeiro de 2010 (https://ecosanto.wordpress.com/2010/01/ ), e as árvores que agora lá se encontram já deliciam o olhar, mas ficou aqui uma cabeceira com muita rebentação de eucaliptos e mimosas que só este ano finalmente se cortou. Havia muita lenha espalhada pelo chão, que teve de se amontoar para depois eventualmente queimar, mas só assim uma área de uns 800 m2 ficava livre para se poder plantar. Local já de maior secura, aqui se deu prioridade a medronheiros e sobreiros, embora alguns carvalhos espontâneos lá se encontrem já. Um grupo de voluntários plantou enquanto o outro amontoou lenha e pelo final da tarde, já o sol se escondia atrás dos cabeços, alguns voluntários demonstraram que ainda estavam com forças suficientes para arrancar algumas mimosas bem ancoradas ao solo!

Já no segundo local de plantação, um medronheiro
Já no segundo local de plantação, um medronheiro
Voluntário em acção
Voluntário em acção
Sobreiro plantado
Sobreiro plantado
Arrumando lenha
Arrumando lenha
Medronheiro ainda florido
Medronheiro ainda florido
Medronhos chamando as atenções
Medronhos chamando as atenções
Força!
Força!
Conseguiram!
Conseguiram!
Carvalho com bugalhos
Carvalho com bugalhos
Recanto primaveril
Recanto primaveril

Logo ali ao lado, um terreno vizinho onde não foi possível intervir, mostrava-nos bem vividamente no que se pode transformar esta paisagem perante a avassaladora presença das mimosas, e como foi valioso o trabalho aqui realizado ao longo dos últimos 5 anos.

Só para lembrar!
Só para lembrar!

E era já escuro quando a equipa abandonou o local. Tinha sido uma excepcional jornada de dedicação a esta paisagem, uma jornada, como aquela outra de 23 de Janeiro de 2010, na qual os que nela participámos ainda dela nos lembraremos muitos anos depois, e quando aqui voltarmos, 10, 20, 50 anos depois, poderemos admirar e abraçar estas árvores e dizer não sem emoção: “eu estive cá nesse dia!” E não são muitos esses privilegiados, mas as oportunidades ainda não estão esgotadas, e a próxima é já no dia 7 de Dezembro, já a última do Outono e de 2013. Nela vamos continuar a plantar árvores e arbustos, começando pelo local onde acabámos neste dia 23 de Novembro e continuando depois noutros. Até lá!

P. D.

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