Primeira acção do ano “Plantar o Caramulo”

A primeira acção de plantação quase ficou comprometida devido ao imprevisto que anunciamos no post anterior, ocorrido no dia 23 de Janeiro com o Paulo Domingues.

Aquando do acidente, eu, Jorge Morais, estava no local quando as equipas do INEM estavam a chegar para socorrer. Ainda assim, e num estado delicado, o Paulo pediu-me que o substituísse num compromisso que teria lugar nessa mesma tarde no âmbito da nova associação. Mostrou-se também preocupado com a jornada prevista para o sábado seguinte. Assegurei que não se preocupasse e que algo se iria arranjar. Aqui podem tirar as vossas conclusões de alguém que, com muita dedicação e persistência, tem trabalhado nos últimos 30 anos para a causa da recuperação dos habitats em terras de Belazaima.

As previsões apresentavam-se favoráveis com temperaturas primaveris e, graças a um grupo, na sua maioria, experiente nas acções, avançámos com tranquilidade e boa disposição para o inicio das plantações do Inverno 2019-20.

Decidimos iniciar as plantações numa nova área no lugar do Feridouro, junto ao ribeiro, mais favorável à plantação de alguns carvalhos e amieiros, uma boa parte dos mesmos alojados em vasos maiores.

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Foi neste local que iniciámos as sementeiras de bolotas. O evento contou com a presença da estação de comunicação SIC, no âmbito da Grande Bolotada Ibérica. Podes ver a reportagem aqui e constatar como todos nós ficamos mais bonitos à sombra de carvalhos frondosos e junto à delicada Ribeira de Belazaima.

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Antiga leira agrícola onde iniciámos as primeiras plantações do dia

Como queremos assegurar a implantação de árvores neste local, decidimos plantar bastantes árvores com vista a criar uma floresta suficientemente densa para “abafar” as nossas queridas arqui-inimigas acácias e silvas (Nota: não são “inimigas” de verdade pois a sua ocupação desmesurada deve-se apenas ao erro e desmazelo humanos).

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Voluntários em acção

Os grupos separaram-se por áreas e deitámos mãos às ferramentas e materiais que usamos habitualmente: adubo orgânico e correctivo mineral. Falha da Organização: aquando da preparação da logística da jornada, esquecemo-nos de deixar as enxadas de molho no dia anterior de forma a não “desencavarem”. Foi o que sucedeu. Shame on us!

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Voluntária feliz da vida pelos arbustos autóctones que plantará de seguida
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Panorâmica do local que mostra a transformação do que foi até há pouco tempo um imenso “mimosal”

Por ser uma área pequena, planeámos de antemão rumar a um local bem próximo, que com condições mais difíceis de declive e solo rochoso, exigiu trabalho extra de arrumação de lenha (Mikado para ecologistas a sério).

Aproveitámos as forças da manhã para iniciar a reconversão de uma encosta acima da Chousa anteriormente bastante povoada por mimosas. Esta mesma área havia sido previamente sujeita a trabalhos de controlo por uma equipa de profissionais em 2017-18. Em 2019 houve trabalho mais minucioso de corte e pincelamento com herbicida nas plantas maiores efectuado pelo então colaborador mais próximo do Paulo e do ex-Projecto Cabeço Santo.

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Aqui foram devolvidos à terra alguns sobreiros, murtas, lentiscos e loureiros. Alguns exemplares destes últimos viam-se já implantados mais adiante.

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Os trabalhos a prosseguir em terreno com declive.

O que nos deu ânimo e vontade para executar a tarefa em mãos foi observar a paisagem em mudança e escutar o som da Ribeira como música de fundo. Delícia para os sentidos.

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Uma paisagem em mudança com as ameaças de muitas mimosas do outro lado da ribeira – consequência do incêndio de 2017.

Enquanto um grupo arrumava lenha, os outros faziam as plantações, espalhados pela encosta, até à mui ansiada hora do almoço. Infelizmente, uma das voluntárias teve de se ausentar e não pode posar na imprescindível foto de grupo.

Terminado o saboroso repasto, alguns voluntários tomaram a liberdade de parar um pouco para a tradicional sesta. Outros houve que se dedicaram à contemplação do lugar e da música da Ribeira. Foi um belo momento de convívio e partilha de coisas simples mas regeneradoras, sentindo-se no ar um reconfortante espírito de comunidade. 

Recuperadas as forças para enfrentar a tarde, prolongámos os trabalhos mais para montante da ribeira, sempre acompanhando a encosta rochosa e eventualmente uma faixa mais próxima da ribeira – oportunidade para conhecer o estado do terreno.

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Como a tarde já ia longa e o cansaço ia-se instalando para muitos, decidimos dar por terminada a acção, com uma previsão de 250 novas plantas na terra. O destino agora era o Feridouro e, uma vez lá chegados, nos lançámos à apanha de laranjas e clementinas sempre muito bem-vindas, muito gentilmente cedidas e com alegria saboreadas. Começa a tornar-se tradição…

Ficou a faltar a colocação de estacas junto às novas plantas, em especial  naquelas mais perto de silvas, de forma a minimizar o risco de as perdermos de vista com o passar do tempo. Shame on us II.

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Foto de grupo, com uma das voluntárias ausente.

Agradecimentos pelas fotos à Margarida Fonseca, Paulo Vinagre e Jorge Morais.

Fica o convite para se juntarem a nós na próxima acção, a anunciar (ver publicações anteriores), do “Plantar o Caramulo”. Inscrição obrigatória em cabsanto@gmail.com!

Até lá.

Pela Equipa ACS

https://www.facebook.com/cabecosanto/

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