Nota pessoal num momento especial

Muito, muito excepcionalmente, uma nota pessoal nas páginas deste blogue, sobretudo agora que existe para reflectir o que se vai passando com a nova Associação Cabeço Santo.

De regresso a casa depois de 19 dias de permanência no hospital, gostaria em primeiro lugar de agradecer todas as palavras, pensamentos e actos que contribuíram para aliviar o “peso” da passagem por este “perigoso desfiladeiro” da minha vida.

Ainda estou a tentar integrar o que aconteceu e que, em todo o caso, vai continuar a acontecer, pois o tempo de recuperação vai ser longo, ainda que em casa. Mais um desafio, como se eles já não me sobrassem…

Jornadas voluntárias no Cabeço Santo, trabalhos na Quinta, e um grande número de eteceteras, tudo vai sofrer uma longa e “pesada” pausa. Mas pelo menos estou vivo, e com boas expectativas de regressar ao “normal”, mesmo que demore uns meses a acontecer e mesmo que, quando aí chegar, eventualmente descubra que já não é exactamente o mesmo “normal”.

Porque é desde logo difícil classificar como “normal” o que se passou nesse dia 23 de Janeiro entre as 14:05h e as 14:08h: que uma viatura, num caminho florestal, engatada em 1ª e a partir do repouso, acelere sem razão aparente, sem responder a todas as tentativas para a deter por parte do seu condutor, atinja uma velocidade difícil de conceber para a mudança em que se encontrava e em 150 m acabe voltada de rodas para o céu, deve ser a coisa mais improvável que eu alguma vez julgaria que (me) pudesse acontecer.

A questão dos “significados” das coisas que (nos) acontecem coloca-se neste contexto com arrebatadora tensão, sem dúvida muito maior do que se o que aconteceu se tivesse devido a uma evidente falta de atenção ou cuidado de alguém (o que claramente não foi o caso) ou um risco significativo tivesse sido assumido por alguém, o que claramente também não aconteceu, ou até ainda se essa deslocação tivesse sido uma coisa fútil e de pouca importância, o que também não acontecia: tratava-se de resolver um assunto importante relacionado com o Projecto/Associação Cabeço Santo.

E, regressando ainda à questão da “normalidade”, o que é ainda normal quando eu chego a Belazaima no dia 11 de Fevereiro e encontro carvalhos em flor e plena rebentação, algo que eu vejo pela primeira vez acontecer em Fevereiro nos 30 anos que já levo destas coisas? Teremos aí acontecimentos de sobra a “gritarem-nos” que temos de fazer ainda mais, ou talvez ainda melhor? Serão os próprios tempos que se aceleram, como muitos têm tido a sensação? E, apesar dessa também aparentemente incontrolável aceleração, conseguiremos evitar o nosso próprio “capotamento” colectivo? Ou evitar esse “capotamento” está para além das nossas próprias forças, mas pelo menos não ficaremos com o “pescoço partido”, e teremos oportunidade para reflectir e redescobrir o caminho? E se o “meu” acidente não fosse senão uma espécie de antevisão/experimentação desse processo? Ou isto que estou a escrever é apenas um delírio derivado de ter batido com a cabeça?

Vou ter tempo para pensar nisso e em muitas outras coisas.

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Carvalho em flor, em Belazaima, no dia 12 de Fevereiro

Abraços, e, pelo menos para quem vier a alguma jornada de voluntariado, vamo-nos vendo por aí, no início e no fim das mesmas! Isto claro, se o pessoal de serviço na novíssima Associação Cabeço Santo achar que tem condições para as realizar, o que ficará a seu cargo determinar.

Paulo Domingues

4 Replies to “Nota pessoal num momento especial”

  1. São sem dúvida muitas questões para reflectir. E as jornadas são um bom mote. Lá nos encontraremos cada vez com mais garra para pôr em prática os objectivos da Associação Cabeço Santo e assim ‘desacelerar’ um pouco a sensação que temos tido de que os tempos estão a acelerar.

  2. Paulo, apesar de teres batido com a cabeça, ainda a tens no sítio e, infelizmente, não estás a delirar. O “normal” já não é o que era.
    Temos de continuar a trabalhar para contrariar essa “aceleração”.
    Fico feliz por teres voltado ao activo.

  3. Em primeiro lugar, desejo uma rápida recuperação. E sim são questões com muito para reflectir, sinais dos tempos anormais em que vivemos. Carvalhos com flor em Fevereiro é algo a juntar a outros sinais preocupantes, salgueiros com rebentação de folhas em Janeiro, tenho um freixo em vaso que esteve nem 1 mês sem folhas (perdeu a copa muitíssimo tarde) e já tem os ramos compostos novamente, quando o normal é ainda estar com os ramos despidos. Sinais da tal aceleração que mencionas e que nos devem preocupar a todos.

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