Última jornada do Inverno

Finalmente, este período de “invernia” que temos vivido desde finais de Fevereiro, com chuvas quase diárias (e que foi precioso para ultrapassar a seca que se arrastava), deu uma trégua para que pudéssemos realizar a última jornada de Inverno e que seria também a última de plantação de árvores desta época. 15 voluntários de vários países e continentes (Europa, América) não quiseram perder esta oportunidade. Quanto às árvores, ainda tínhamos algumas do lote inicial, mas para esta jornada contámos sobretudo com um conjunto de carvalhos graciosamente cedidos pela Associação Agora Aveiro e pelo Município de Lousada, em troca de algum apoio logístico em Belazaima para as actividades da Associação.

A equipa começou por se deslocar até ao Vale da Estrela, junto a Belazaima, onde plantou uma área de eucaliptal anterior, num solo algo desestabilizado pela antiga mobilização, quando não se faziam propriamente socalcos mas grandes valas em cujo cômoro se plantavam os eucaliptos. O pequeno vale, com apenas três centenas de metros de extensão, encontra-se bastante mal tratado: é longitudinalmente atravessado por um caminho, as poucas árvores autóctones foram destruídas pela exploração do eucaliptal e pelo incêndio do ano passado, a montante está completamente invadido por mimosas e a jusante os motares fizeram dele caminho de passagem. Mas, estando praticamente toda a sua extensão disponível para intervenção, a sua recuperação só depende do esforço que consigamos lá colocar. Não foi neste dia que começámos, mas foi nele que demos um passo importante nesse sentido. E toda a manhã se passou por aqui.

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Voluntários a caminho do Vale da Estrela
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Carvalhos ainda despidos na zona da Benfeita
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Momento de formação, já no terreno alvo
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Voluntários em acção
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Dois elementos essenciais ao sucesso da jornada: árvores e laranjas!
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Plantar com arte!
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Continuação dos trabalhos com o Vale da Estrela em segundo plano
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Apesar de muito pequeno, corre muita água no vale, graças às chuvas que têm caído
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A bonita mancha de carvalhos da zona da Benfeita, já no regresso para o almoço
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A ponte da Benfeita e o seu entorno

Como estávamos perto de Belazaima, a refeição fez-se confortavelmente à mesa e com comida quente no espaço de trabalho da Quinta das Tílias. O dia estava frio e soube muito bem assim!

À tarde a equipa deslocou-se até ao Feridouro e fez algum trabalho de adensamento numa área junto ao Vale de São Francisco que já foi agrícola, já teve eucaliptos e mimosas e agora está ocupada por muitas árvores autóctones espontâneas, sobretudo carvalhos, por certo fruto da queda de bolotas de uma bela mancha de carvalhos que se encontra num socalco mais acima. Por isso já não havia aqui muito espaço e plantaram-se principalmente alguns azevinhos, embora também alguns freixos e carvalhos. A área é já muito convidativa e apetecia ficar só a contemplar… Mas ainda havia árvores e era necessário continuar noutro lugar…

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Já junto ao Vale de São Francisco no Feridouro
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Já há muitas árvores e arbustos; os trabalhos são de adensamento

O sítio seguinte foi na zona da Chousa, onde uma antiga terra agrícola foi literalmente rasgada ao meio por um novo leito do ribeiro, quando este se “viu” obstruído no seu leito original. É um local com muitos desafios, devido à agressiva presença das mimosas em sítio difíceis, mas, pelo lado positivo, já esteve bem pior… Também aqui já não havia espaço para muitas árvores, pelo que, depois de contemplar as cascatas que por aqui agora são abundantes, a equipa se deslocou até outro vale – o Vale de Junqueiro, que já desagua na represa – para terminar as árvores, o dia e a época.

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Em acção na zona da Chousa
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As “cataratas da Chousa”!
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Voluntário meditando sobre os desafios desta área

Para terminar em beleza, aqui o trabalho foi comparativamente mais fácil do que em todos os anteriores porque este terreno, antigo eucaliptal, tinha sido mobilizado (arranque de tocos, ripagem), facilitando muito a preparação dos locais de plantação. Deste modo, conseguiram-se plantar aqui muitas árvores em pouco tempo, praticamente esgotando o stock.

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O final dos trabalhos decorreu numa encosta junto ao Vale de Junqueiro

Foi assim que, plena de satisfação pela missão cumprida ao longo de toda uma época, a equipa subiu a encosta, contemplou a represa lá em baixo e “viu”, na encosta do outro lado, um formoso bosque de folhosas (tudo o que acontece na prática começa por um sonho, uma aspiração, não é verdade?). E, com a foto de despedida, já com uma voluntária em falta, se encerrou a jornada.

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O fim dos trabalhos!
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Uma equipa com a sensação de uma missão acabada de cumprir!

Segue-se agora a grande metamorfose da Primavera, em que as folhosas autóctones se vestem de novo (ou se re-vestem!), em que as flores rompem em todos os recantos, as aves criam os seus filhotes e, enfim, toda a vida se move de novo para mais um passo da grande aventura. Por isso, nas jornadas de Primavera, a observação e a contemplação têm lugar destacado. O anúncio do respectivo calendário chegará em breve.

Para já, um obrigado a todos os voluntários, à Liliana pelas fotos, à Agora Aveiro pelas árvores, e… até à primeira jornada de Primavera no Cabeço Santo!

Paulo Domingues

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