Mini-CTC e efeméride

Começamos com uma efeméride: há exactamente 12 anos o Cabeço Santo e uma extensa área dos Concelhos de Águeda, Mortágua e Anadia acordava de um pesadelo nocturno: uma noite de vento, um acendimento provocado ao princípio da noite, uma paisagem “pronta” para o que viria a seguir. Infelizmente, não seria a última vez, mas dessa foi um evento particularmente virulento, cujas marcas directas perduraram durante anos e indirectas muito mais, até hoje.

Voltando ao presente, tivemos este fim de semana o aguardado mini-CTC (Campo de Trabalho Científico) dedicado ao controlo de espécies vegetais invasoras e para o qual foram convidados antigos participantes em CTC’s promovidos anualmente pelo grupo das Invasoras da Universidade de Coimbra (Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra) desde 2003.

Os participantes, alguns vindos de longe, começaram a chegar ainda na Sexta à noite, e no Sábado tínhamos perto de 20 voluntários de (quase) todas as idades ao serviço. Com toda a determinação de um início de jornada e braços ainda frescos, este “batalhão” de operacionais “armados” de tesouras, navalhas e facas dirigiu-se para uma formação de mimosas na área da confluência dos vales nºs 3, 4 e 5 com a certeza de “derrotar” o “inimigo” de uma penada… Mas não seria assim: a severa seca deu origem a que a casca se agarrasse com força à parte interior do tronco, tornando muito difícil o descasque. De tal maneira, que se considerou improdutivo continuar e o “batalhão” recuou para reorganização e reflexão.

A estratégia de recurso pareceu funcionar: a equipa dirigiu-se para as mimosas, algumas grandes, que se dispõem ao longo do vale nº 3, um local mais fresco e onde as plantas não estão sujeitas a tão elevado stress hídrico. Aqui foi possível trabalhar o resto da manhã, subindo o vale e reiniciando a recuperação deste troço do mesmo, que em tão críticas condições se encontra. Entre o caminho que o atravessa e o ribeiro, uma área foi afectada pelo incêndio de 28 de Abril, e também aqui foram realizados alguns trabalhos de arranque de rebentação e arrumação de ramadas queimadas.

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Entre mimosas, grandes e pequenas
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Voluntárias em acção
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Algumas mimosas, mais afastadas do vale, sucumbem perante a temível seca
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A encosta sobranceira ao vale encontra-se severamente invadida
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Em grupo não se desanima tão facilmente…
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Vai uma bolacha?

Depois de um almoço a sério à sombra das mimosas acabadas de descascar (!!), o grupo subiu (sobre rodas) o vale nº 3 para abordar a mancha de acácia-de-espigas da zona média-alta do vale. As áreas alvo foram acima e abaixo do caminho que atravessa o vale, ambas onde já se tinham realizado trabalhos e a necessitar de acompanhamento. Acima a situação é pior, com muita rebentação de raízes e alguma germinação. Abaixo, onde os medronheiros (espontâneos e alguns plantados também) se encontram em melhores condições e onde as plantas de acácia-de-espigas são já mais dispersas, a evolução foi mais rápida. As ramadas de cortes anteriores e, já na aproximação ao vale, o silvado, foram os principais obstáculos. Quando, já depois das 18 horas, os trabalhos se deram aqui por terminados, os progressos eram visíveis. Mas podia-se voltar aqui muitos dias seguidos, semanas até, com toda esta equipa, que haveria trabalho para ela, tal é o gigantismo da missão que temos em mãos.

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Quem não se sente intimidado perante um “mar” de acácias-de-espigas? Os voluntários do mini_CTC, tanto graúdos como miúdos!
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Um medronheiro à espera de ser “salvo”!
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Abaixo do caminho, a situação é mais animadora, mas a progressão no terreno também não foi fácil
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O grupo de Sábado, no final do dia

À noite realizou-se uma conferência pública na sala da Junta de Freguesia. Pareceu contudo mais privada que pública, o que não obstou a que fosse muito animada, com intervenções de todas as “cores” e ideias muito imaginativas quanto ao futuro do projecto.

Conferencia16-9-2017cartazNo Domingo de manhã recebemos ainda outros voluntários, alguns já habituais nas jornadas regulares. Com cerca de 30 pares de braços prontos a entrar em acção, a área alvo foi o corredor ribeirinho a jusante e a montante dos portões da mata da Altri Florestal: cortou-se rebentação de eucalipto, arrancaram-se e descascaram-se mimosas e também acácias-de-espigas, fazendo-se um varrimento quase metro a metro da faixa de terreno.

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O arranque para o terreno, no Domingo de manhã
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“De pequenino…”
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Arrancando e descascando
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Louva-a-Deus
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Os carvalhos do Vale de Barrocas e a paisagem de eucaliptos, em segundo plano

O mini-CTC encerrou-se com um almoço no parque de merendas do Moinho de Vento em Belazaima, com um balanço bem positivo. Um agradecimento a todos os participantes, e em especial à Hélia e à Elizabete Marchante pelo seu empenhamento na preparação deste CTC.

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Foto de encerramento, com todos os participantes

Quanto ao futuro, ficou a vontade de repetir, talvez com um evento de maior duração e com mais actividades “paralelas” para os participantes. Fica a ideia a germinar. Oxalá o “solo” seja fértil!

Paulo Domingues

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