Terceiro CTV

Para este Campo de Trabalho Voluntário, realizado a 11 de Novembro de 2006, inscreveu-se apenas uma voluntária. Embora inicialmente se tivesse colocado a hipótese de adiar o Campo em caso de não existência de um número mínimo de voluntários, essa hipótese foi afastada dado que as bolas preparadas entre 4 e 9 de Novembro não podiam esperar mais uma semana, pois que se encontravam em rápida germinação. Por outro lado, uma semana mais tarde, já praticamente não seria possível obter bolotas não germinadas, e as ainda não germinadas teriam uma probabilidade elevada de não serem viáveis. Deste modo, o Campo realizou-se mesmo com apenas uma voluntária. Para permitir realizar os trabalhos previstos, foi contratado um homem não voluntário. Claro que este acontecimento demonstra claramente como o timing dos trabalhos não é compatível com a disponibilidade de voluntários, e como pode ser necessário recorrer a trabalho remunerado mesmo quando se trata de trabalhos leves e fáceis de realizar.

Apanhada a voluntária às 8:00 horas em Aveiro, cerca das 9:00 estava tudo pronto para a saída para o Cabeço Santo, braços, ferramentas e as cerca de 600 bolas de sementes preparadas. Levou-se a carrinha por um caminho próximo do vale para facilitar a deslocação dos materiais.

Na antiga mancha de eucaliptos na zona oeste do terreno, o solo estava largamente coberto com cascas de eucalipto, o que nem sempre lhe permitia um fácil acesso. De notar que, embora nesta fase a presença das cascas de eucalipto possa parecer inconveniente, dando ainda ao terreno um aspecto pouco atraente, a verdade é que é nas cascas e também na folhagem dos eucaliptos que se concentram os nutrientes retirados ao solo, pelo que a sua permanência no terreno após a retirada da madeira é positiva. Também não desprezável será a sua contribuição para a manutenção ou mesmo formação de húmus no solo. Foi nesta zona que se fez a sementeira durante a manhã. Embora não de forma estanque, foi dada preferência à sementeira de sobreiros nas zonas mais expostas e secas, tendo-se nas restantes dado preferência a carvalhos e castanheiros. A sementeira fez-se começando por sondar o terreno com uma forquilha de quatro dentes direitos. Como terreno é bastante pedregoso, esta acção é importante para encontrar um melhor lugar de implantação da futura árvore. Se parecer aceitável, enterram-se os dentes no solo usando a força dos pés sobre a forquilha e solta-se o solo com pequenos movimentos angulares desta. Depois, a bola é colocada no solo e ligeiramente coberta.

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Vista da parte do terreno da Quercus que tinha eucaliptos, acabados de retirar há pouco tempo
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Vista na direcção do Vale de São Francisco
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Vista do Vale de São Francisco para montante. Embora a zona plantada com eucaliptos fosse bem delimitada, estes, já em zona rochosa, implantaram-se com o tempo por “iniciativa própria”

A conclusão dos trabalhos de sementeira na antiga mancha oeste de eucaliptos fez-se era já hora de almoço. Da parte da tarde o colaborador não voluntário, Boris, foi arrancar acácias por todo o terreno, já que, apesar dos trabalhos levados a cabo nos 1º e 2º CTV’s, ainda era possível encontrar muitas plantas pelo terreno. Eu e a voluntária, Alexandra, fomos semear a mancha de eucaliptos do lado sul do terreno, uma encosta de exposição a norte, com zonas aparentemente apropriadas para carvalho roble. Aqui, a empresa madeireira encarregada de retirar os eucaliptos havia deixado bastantes em pé. Isso, por um lado, é um inconveniente já que implicará um trabalho posterior de abate desses eucaliptos. Por outro lado, tais eucaliptos encontram-se na sua maior parte em zonas sensíveis, em terreno muito declivoso e nas margens de uma linha de água não permanente relativamente bem conservada. Remover esses eucaliptos com maquinaria de lagartas implicaria um impacto não desprezável sobre essas zonas. Assim, há agora a necessidade de cortar esses eucaliptos, mas isso será feito com um cuidado que não é a referência para as empresas madeireiras, e os toros ficarão no local, de forma a minimizar o impacto da operação. Também nesta zona ficaram muitos rebentos de eucalipto, que deverão ser cortados o mais depressa possível, a fim de maximizar a probabilidade de secarem durante o Inverno. Apesar destes trabalhos ainda a serem realizados, a sementeira fez-se, esperando que não se verifiquem muitos estragos.

A sementeira terminou antes do final do dia, e ainda houve pernas para subir ao terreno da Celbi e fazer algum trabalho de arranque de acácias. E foi já com o pôr-do-sol no horizonte que descemos a encosta de volta à carrinha. Ainda nos esperava uma pequena aventura para terminar o dia, já que uma parte do percurso de volta teve de se fazer de recuas, dada a inexistência de espaço para rodear a viatura. Mas conseguimos regressar com sucesso à civilização e dar por terminado mais um Campo de Trabalho Voluntário no Cabeço Santo.

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Voluntária e operacional contratado que participaram neste CTV

Conclusão

Apesar do pequeno número de participantes, realizou-se o trabalho previsto. O sucesso desta operação só poderá ser avaliado pelo final do Inverno, quando as pequenas árvores já forem visíveis. Caso não se obtenha o sucesso esperado, sempre será possível realizar uma plantação de árvores de forma mais convencional. Embora o método das bolas de sementes tenha já dado provas em zonas de clima árido, não são conhecidas referências que o documentem no nosso clima e com as espécies utilizadas. Esperemos pois pacientemente pelos resultados.

Paulo Domingues