Sétimo CTV

Este Campo de Trabalho, realizado a 12 de Maio de 2007, foi marcado pela incerteza. Programado para dois dias, um para trabalhos e outro para visita, acabou por se realizar apenas num. Na Quinta-feira anterior havia apenas dois inscritos e um telefonema permitiu saber que desses dois apenas um viria de facto. Logo a seguir, apareceu novo inscrito, muito motivado. Mas, uma previsão de chuva fraca para Sábado fez pender a balança da decisão para uma anulação ou adiamento do Campo de Trabalho. Já na Sexta-feira, com o Campo de Trabalho já cancelado, novo telefonema de um interessado cheio de energia, só para a jornada de trabalho. Admitidamente, este telefonema, ajudado por uma previsão meteorológica que adiava agora o chuvisco para o final do dia, foi o “pontapé” que fez inverter o processo: sempre iria haver campo de trabalho!

Assim, pouco passava das 9 da manhã de Sábado, já todos os participantes se encontravam na Junta de Freguesia de Belazaima. Após uma passagem pelo meu pequeno viveiro florestal, pusemo-nos a caminho até ao Cabeço Santo.

Depois de uma pequena apresentação do projecto aos novos participantes, junto ao marco da Celbi, a carrinha foi levada através do íngreme e pouco próprio caminho até à zona de antigo eucaliptal do terreno da Quercus, enquanto os participantes desceram a pé. Aí se dividiram tarefas: uns iriam trabalhar na desobstrução do vale enquanto outros iriam esgalhar rebentos de eucalipto.

Nenhum dos trabalhos foi um “agradável passeio” pela natureza, bem pelo contrário. O primeiro foi um trabalho realizado a machado de cabo curto, esgalhando os rebentos de eucalipto que, nesta excelente exposição, crescem a um ritmo muito elevado (a maior parte deles já tinham sido cortados no anterior CTV e agora já tinham rebentado e crescido de novo para dois ou três palmos de altura). O declive do terreno é uma dificuldade adicional. A alternativa ao corte repetido durante este ano seria a utilização de herbicida por pulverização. No entanto, embora a utilização deste não possa ser posta de parte no contexto mais largo, neste local em particular, a dificuldade de acesso e o declive do terreno muito dificultaria a sua aplicação. Por isso, aqui tentar-se-á mesmo o corte repetido. Este trabalho ficou a cargo das participantes. Os homens dedicaram-se à limpeza do vale, trabalho de paciência que consistiu no corte (com motosserra) e remoção de um conjunto muito desordenado de troncos e ramos de mimosa que aí foram deixados após a remoção, por uma empresa madeireira, dos eucaliptos queimados que ocupavam esta mancha.

Quase ao meio dia fez-se uma pequena pausa para retemperar forças mas depois continuou-se até ao almoço, altura em que a limpeza do vale se deu por concluída. Para além da remoção da madeira queimada, cortaram-se também com tesouras de poda os muitos rebentos de mimosa que já cresciam no local. No meio dessa “floresta” inconveniente descobriu-se até um jovem carvalho.

A seguir ao necessário e revigorante almoço em pleno campo, cumpriu-se o quase “ritual” da pequena caminhada pela área de vegetação nativa mais bem conservada para um pequeno período de repouso, distensão e, claro, observação.

À tarde um grupo continuou o trabalho de eliminação de rebentos de eucalipto, enquanto uma participante se dedicava a cortar rebentos de acácia à altura de 1 metro (mais ou menos) e eu fui subindo com a motosserra para cortar eucaliptos dispersos pelo matagal, alguns de grande porte, que a empresa madeireira não tinha levado. O objectivo de cortar os rebentos de acácia pela altura de um metro é poder, com o menor dano possível para a vegetação circundante, e com maior facilidade, pulverizá-las com herbicida dentro de algumas semanas. Uma opção inevitável para uma infestante de crescimento muito rápido e de grande poder de colonização nas áreas que lhe são favoráveis.

Seriam já umas 16:30h quando o grupo se reuniu de novo junto à carrinha para subir a encosta até ao caminho florestal da Celbi, percurso que, em boa parte, tiveram de fazer a pé, pois as dificuldades já eram suficientemente grandes para a carrinha sozinha, quanto mais carregada… Cá ao cimo ainda se fez um pouco de trabalho de arranque de acácia-de-folhas-longas e de háquea-picante, mas em breve seria necessário regressar à aldeia, já que uma participante teria de partir daí pouco depois das 18 horas.

Assim, ainda ouve tempo para os participantes restantes fazerem um pequeno percurso pedestre pelo carvalhal do Valinho Turdo – Pedreira – Ponte Nova, e de aí lancharem. E assim se condensou num dia só o programa que estava inicialmente previsto para dois.

Curiosamente, ninguém se lembrou de trazer uma máquina fotográfica para este campo de trabalho. Não poderá, por isso, ser demonstrado ao “mundo” com imagens o trabalho realizado neste dia, mesmo o “mundo” restrito dos poucos a quem as notícias destes campos de trabalho chegam. Felizmente, a energia e a determinação dos que nestes trabalhos se envolvem não dependem dessa visibilidade. Nem dependem de qualquer reconhecimento que a sociedade neles manifeste, quer no presente, quer nos próximos anos ou décadas. Nem sequer dependem de qualquer benefício de que possam usufruir de forma exclusiva, pois que os verdadeiros benefícios do seu trabalho estão abertos a todos os que os quiserem ou puderem acolher, ainda que não atraiam multidões nem gerem “postos de trabalho”. Dependem talvez, apenas, de uma consciência muito íntima de que vale a pena levá-lo a cabo, de que os valores envolvidos são perenes e de que a nossa própria harmonia ao nível humano depende deles.

Na ausência da foto de família, aqui fica uma lista de participantes neste CTV:

N.º Nome
Localidade
Observações
1 Maria Margarida Fonseca Águeda  
2 Raúl Rodrigues da Silva Fermentelos  
3 João Paulo Pedrosa Vagos  
4 Maria José Henriques Vagos  
5 Paulo Domingues Belazaima Organização

Paulo Domingues