Quinto CTV

Este Campo de Trabalho Voluntário, realizado a 24 de Fevereiro de 2007, foi essencialmente organizado por elementos do Departamento de Ambiente da Região de Aveiro do Corpo Nacional de Escutas, em particular no que respeita à promoção e publicitação do evento entre os membros da estrutura, e à organização das refeições. Participaram cerca de 20 elementos, entre Pioneiros, Caminheiros e dirigentes.

A chegada aconteceu na Sexta-feira ao fim da tarde, pois que estava prevista uma palestra a realizar na Junta de Freguesia para que os participantes se pudessem integrar devidamente no contexto. Essa palestra foi baseada, com poucas alterações, na que foi realizada para a população de Belazaima no 1º CTV. Após esta sessão nocturna, os participantes prepararam-se para pernoitar nas próprias instalações da Junta de Freguesia.

A saída para o Cabeço Santo foi planeada para as 9 horas de Sábado, embora tivesse acontecido com um atraso de cerca de 30 minutos. Estava uma neblina mas não estava frio, e havia a expectativa de que as previsões de aguaceiros não se confirmassem, como tantas vezes acontece. Os participantes distribuíram-se entre a “carrinha de serviço” dos CTV’s e um comercial de 2 lugares de um dirigente dos escuteiros que levaria umas… 10 pessoas! Subiu-se o Cabeço Santo a partir da estrada de Agadão, e, sobre lama e pedras os dois veículos lá avançaram. No Cabeço havia um nevoeiro denso, que impedia a contemplação da paisagem cá em baixo.

O ponto de chegada foi o antigo caminho florestal da Celbi, junto à mancha de eucaliptal (agora cortado) que ficava a montante desse caminho. Foi feita uma pequena explanação no local, complementando a palestra do dia anterior e identificando, no campo, as plantas alvo de intervenção.

Distribuídas as luvas, os trabalhos começaram com entusiasmo a norte da mancha de eucaliptos da Celbi (agora da Silvicaima) que ali existia. No entanto, toda a vegetação estava bastante molhada, e, para piorar as coisas, um primeiro aguaceiro não se fez esperar. E um vento frio, bem mais frio do que estava em Belazaima, soprava pelo monte acima para “complementar” o aguaceiro. Mas, não era caso para desanimar já, pois havia luvas impermeáveis e o aguaceiro terminou depressa. Só que, constatava-se que a maior parte dos participantes não trazia calçado adequado para as condições do terreno e do tempo, e quase todos os pés começaram a ficar rapidamente encharcados. Perto do meio dia, já o grupo tinha trabalhado uma faixa de terreno quase até ao estradão florestal do alto do monte, arrancando Acacia longifolia, que ocorria de forma dispersa mas abundante nessa zona. Por essa altura começou a cair um aguaceiro mais persistente, acompanhado de um vento frio. Considerou-se então que seria melhor interromper antecipadamente os trabalhos para o almoço. Só que, no local, não havia abrigo para tantas pessoas, e então decidiu-se ir até à antiga casa florestal da Celbi, que ficava a uns 2 km de distância. Como o dirigente dos escuteiros José Luís (de Belazaima) tinha usado a carrinha para ir buscar o almoço, só havia a carrinha de caixa aberta, que não levava todos os participantes. Então, alguns foram caminhando pelo estradão florestal, enquanto outros desceram ao caminho da Celbi, onde se encontrava a carrinha. Inicialmente, o aguaceiro aliviou, mas depois, durante o percurso, novo aguaceiro, agora mais intenso, se abateu sobre os que iam na caixa aberta e claro, sobre os que caminhavam. Deixados uns e recolhidos os restantes, finalmente todos estavam “a salvo” na casa da Celbi.

Aí tiveram que esperar bastante tempo, porque também ao José Luís tinham acontecido umas peripécias e não conseguiu chegar antes das 13:30. Entretanto, os pés continuavam molhados porque estava frio, e o sol, se aparecia, era só por alguns segundos de cada vez, escondendo-se depois por 20 ou 30, mas minutos! As coisas melhoraram quando a comida chegou, mas eram febras e ainda era necessário assá-las. Dado que só cabiam umas poucas de cada vez na assadeira, o almoço prolongou-se e só foi dado por concluído pelas 15:30 horas.

Apesar da comida, as condições físicas dos escuteiros já não eram de molde a fazer mais uma jornada de trabalho, e de qualquer modo… tinham que estar às 17 horas em Belazaima para o regresso a casa. Desse modo, foi tomada a decisão de regressar directamente a Belazaima, agora pelo Feridouro. Ainda se passou pelo sobreiro gigante e pelo terreno da Varzila para dar uma olhadela aos trabalhos aqui realizados, mas já não faltaria muito para hora marcada quando foi realizada uma pequena cerimónia de despedida na Sala da Junta de Freguesia.

Como epílogo, poderá dizer-se que, quando se arrisca, pode-se “ganhar” ou “perder”, ou seja, quando se tem de marcar um dia para um campo de trabalho no Inverno, se arrisca a ter bom ou mau tempo, e pode acontecer mesmo ter mau, como aconteceu. Nestas circunstâncias não podemos mesmo senão aceitar essa contingência sem desanimar, pois que quando se arrisca muitas vezes, sempre haverá algumas em que se “ganha” e globalmente terá valido a pena. Ficou expressa a vontade dos dirigentes escutistas em voltar ao Cabeço Santo noutras oportunidades, dando assim uma contribuição mais expressiva para o esforço aqui realizado. São bem-vindos. Todos são bem-vindos e todos são poucos!

Paulo Domingues