O pós incêndio

Foi necessário esperar pela Primavera do ano seguinte para se assistirem a mudanças significativas na paisagem. Os eucaliptos, é claro, rebentaram, embora a grande área ardida tivesse atrasado os cortes de madeira queimada, por vezes até 2007. Um fenómeno particularmente intenso foi a germinação de eucaliptos de origem seminal: ocorrida sobretudo em solos pouco mobilizados e onde havia banco de sementes, as plantas de origem seminal apareceram por vezes às muitas dezenas por metro quadrado. No Cabeço Santo espalharam-se, como manchas de óleo, pelas áreas de medronhal. Mas aqui, nas áreas não exploradas, o que se previa começou logo a mostrar-se: o banco de sementes da acácia-de-espigas germinou massivamente, juntando-se à rebentação das plantas instaladas. Nos vales, onde a mimosa já estava bem presente antes do incêndio, pareceu num primeiro momento que outras plantas de ciclo mais curto tomavam a dianteira, mas o avanço da estação de crescimento veio confirmar as piores expectativas: as mimosas regressavam ainda com mais força, ocupando ainda com mais agressividade espaços que já eram largamente delas.

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Eucaliptal queimado em Junho de 2006
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Germinação massiva de eucaliptos em solos não mobilizados. Junho de 2006, Cabeço Santo
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Germinação do banco de sementes de eucalipto, mesmo a alguma distância dos possíveis pés-mãe
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Profusão de rebentação em torno de uma mimosa
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Neste vale do Cabeço Santo, parece num primeiro momento que muitas plantas autóctones ocorrem. Em breve, contudo, serão desalojadas pelas mimosas. Junho de 2006
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Germinação de acácia-de-espigas, na vizinhança de uma planta-mãe. Cabeço Santo, Junho de 2006
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Com as acácias, verifica-se que houve também a germinação de nativas, em particular cistáceas. Mas estas serão com o tempo desalojadas pelas primeiras
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Vale de São Francisco visto cá e baixo, do Feridouro, em Junho de 2006. A pequena área à esquerda tinha sido mobilizada para replantação.

Pelo lado positivo, houve áreas nas manchas de vegetação espontânea do Cabeço Santo onde a Primavera deu origem a ricas formações de plantas espontâneas pioneiras, só as hastes queimadas das plantas arbustivas de porte baixo mostrando que ali tinha passado um incêndio. A vegetação rupícola, pelo seu lado, estava praticamente recuperada no ano seguinte. No coração da maior área rupícola do Cabeço Santo, na cabeceira do vale nº 2, existia um sobreiro, que ia crescendo lentamente ano após ano. Foi a única árvore daquela zona que rebentou a partir da parte área, recuperando-a totalmente ao fim de poucos anos. Essa árvore ainda pode ser aí observada hoje.

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Muitas áreas de solo intacto estavam já plenamente revestidas em Maio de 2006
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Numa zona dominada por plantas do matagal de porte elevado, verifica-se um processo de sucessão em que, numa primeira fase, dominam herbáceas de pequeno porte. Maio de 2006
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A vegetação estritamente rupícola estava praticamente recuperada em Maio de 2006
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Em Junho, a gramínea Agrostis domina esta encosta
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Outra área onde uma rica e diversa cobertura vegetal ocupa densamente solos praticamente marginais, em Junho de 2006
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Um medronheiro praticamente ancorado em cima de uma rocha de xisto, rebenta já estoicamente em Junho de 2006
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Outro exemplo de um processo de sucessão
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Vista geral de uma área rupícola, no Vale de São Francisco, Junho de 2006
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Um medronheiro rebenta profusamente. Junho de 2006