O pós incêndio

Foi necessário esperar pela Primavera do ano seguinte para se assistirem a mudanças significativas na paisagem. Os eucaliptos, é claro, rebentaram, embora a grande área ardida tivesse atrasado os cortes de madeira queimada, por vezes até 2007. Um fenómeno particularmente intenso foi a germinação de eucaliptos de origem seminal: ocorrida sobretudo em solos pouco mobilizados e onde havia banco de sementes, as plantas de origem seminal apareceram por vezes às muitas dezenas por metro quadrado. No Cabeço Santo espalharam-se, como manchas de óleo, pelas áreas de medronhal. Mas aqui, nas áreas não exploradas, o que se previa começou logo a mostrar-se: o banco de sementes da acácia-de-espigas germinou massivamente, juntando-se à rebentação das plantas instaladas. Nos vales, onde a mimosa já estava bem presente antes do incêndio, pareceu num primeiro momento que outras plantas de ciclo mais curto tomavam a dianteira, mas o avanço da estação de crescimento veio confirmar as piores expectativas: as mimosas regressavam ainda com mais força, ocupando ainda com mais agressividade espaços que já eram largamente delas.

Pelo lado positivo, houve áreas nas manchas de vegetação espontânea do Cabeço Santo onde a Primavera deu origem a ricas formações de plantas espontâneas pioneiras, só as hastes queimadas das plantas arbustivas de porte baixo mostrando que ali tinha passado um incêndio. A vegetação rupícola, pelo seu lado, estava praticamente recuperada no ano seguinte. No coração da maior área rupícola do Cabeço Santo, na cabeceira do vale nº 2, existia um sobreiro, que ia crescendo lentamente ano após ano. Foi a única árvore daquela zona que rebentou a partir da parte área, recuperando-a totalmente ao fim de poucos anos. Essa árvore ainda pode ser aí observada hoje.