Estado da paisagem no pós-fogo e razões para um projecto

Depois do incêndio de 2005, o estado da paisagem local, se já não era brilhante antes, só podia piorar depois. Com a expansão das mimosas, das acácias de espigas, mesmo das háqueas-picantes, originalmente plantadas nos limites da mata do Cabeço Santo, e ainda dos eucaliptos, as escassas áreas onde ainda se fixava alguma vegetação espontânea viram-se ainda mais pressionadas. Nas áreas não exploradas do Cabeço Santo, sobretudo pelas acácias-de-espigas, mas também pelas háqueas e pelos eucaliptos. Nas testadas das terras agrícolas, sobretudo pelos eucaliptos. Nas margens do ribeiro e ao longo dos principais vales, sobretudo por mimosas. Muitos proprietários aproveitaram para replantar com eucaliptos, o mesmo vindo a acontecer na mata do Cabeço Santo. Este estado da paisagem foi a semente do projecto. Não era possível ficar indiferente. Era quase irrelevante continuar a trabalhar à escala anterior.

A acção que parecia mais premente levar a cabo era a salvaguarda das áreas não exploradas do Cabeço Santo, distribuídas por núcleos mais ou menos separados e coincidentes com as cotas mais elevadas dos principais vales que rompiam a encosta até ao ribeiro. A principal encontrava-se no Vale de São Francisco, o principal vale que serve a pequena aldeia do Feridouro, mas praticamente todos eles, do nº 1 ao nº 7, tinham a “sua” área não cultivada, de solo marginal e frequentemente com afloramentos rochosos. E em todas elas, a presença da Acacia longifolia, e por vezes da Acacia dealbata, era ameaçadora.