Os primeiros dois anos (2006-2008)

O projecto nasceu com uma ideia, a de que sendo o trabalho de restauro ecológico um esforço de interesse geral para a sociedade, ele deveria e poderia ser levado a cabo essencialmente por membros dessa sociedade, em regime de voluntariado. Deste modo, o voluntariado foi “eleito”, desde o princípio, como “pedra angular” do projecto, do qual se originaria o essencial do trabalho a desenvolver. Os primeiros dois anos foram fruto dessa ideia, ancorada no sucesso do primeiro Campo de Trabalho Voluntário. Existiu por isso a intenção de continuar a realizar CTV’s de vários dias, tal como o primeiro. Mas a realidade logo demonstrou que isso não era possível. Uma coisa é obter adesão para realizar um CTV inaugural de 5 dias, outra bem diferente é fazê-lo uma e outra vez e por tempo indeterminado. Por isso, muito rapidamente se evoluiu para o formato ainda em vigor de se realizarem jornadas de apenas um dia, ao Sábado.

Ainda podem ser consultadas as memórias do primeiro, do segundo e do terceiro CTV.

Mesmo para a realização de jornadas de um dia não foi fácil manter a adesão de um número significativo de voluntários. Os trabalhos foram-se realizando, mas com alcance limitado, circunscrevendo-se às áreas marginais das cabeceiras dos vales nºs 2 (Vale de São Francisco), 3 e 7. Incluiram a continuação do arranque de acácias de espigas e eucaliptos, o corte de eucaliptos e a plantação de árvores nas escassas áreas onde isso era possível.

Entretanto a Silvicaima, sucessora da Celbi, que entretanto tinha sido adquirida pelo grupo Altri, preparava-se para replantar boa parte da mata, mostrando-se disponível para ceder algumas áreas antes ocupadas por eucaliptos para os fins do projecto. Assim se desenhou o essencial das áreas de conservação fora dos núcleos de solo marginal originais, consistindo na criação de “corredores ecológicos” ao longo dos principais vales e do próprio ribeiro. Mas neste momento estavamos já em finais de 2007, e os eucaliptos e as acácias já tinham “tomado conta” dessas áreas, crescendo rapidamente em solos comparativamente férteis e frescos. Era evidentemente impossível qualquer intervenção significativa nessas áreas com base no trabalho voluntário. Por outro lado, para colocar profissionais no terreno, eram precisos recursos financeiros.

Desta necessidade germinou o protocolo que envolveria a Câmara Municipal de Águeda, que iria garantir uma contribuição plurianual. Com uma contribuição da CMA de 7500 euro em 2008 e a disponibilidade da Silvicaima em proporcionar também uma contribuição nesse ano de igual valor, os trabalhos de equipas profissionais iniciaram-se nesse ano mesmo, com intervenções na zona de confluência dos vales nºs 3, 4 e 5, na cabeceira do vale nº 5 e no vale nº 6. Estes trabalhos foram essencialmente de corte de eucaliptos e mimosas, com posterior aplicação de herbicida na rebentação subsequente. Todos estes trabalhos foram muito dificultados pela presença de grande quantidade de árvores queimadas no grande incêndio, que ficaram espalhadas por extensas áreas, o que em conjunto com a ocorrência de muitas plantas, quer de eucalipto quer de mimosas, de origem seminal, tornava as áreas trabalhadas completamente impenetráveis, onde só gradualmente, através do corte das árvores em pé e da desmontagem das árvores caídas era possível ir avançando no terreno.

2008 foi também um ano importante por outro motivo: em Janeiro desse ano foi criada a página/blogue do projecto, que ao longo dos últimos 11 anos foi um instrmento fundamental de comunicação e ligação com a comunidade mais larga e os voluntários em particular.