Os anos de 2009 a 2011

Em 2009 e 2010 o projecto teve a ventura de ter sido muito bem sucedido numa candidatura ao Fundo ONG Ambiente do Espaço Económico Europeu (Fundo EFTA), tendo ficado em primeiro lugar entre mais de uma centena de candidaturas. O respectivo financiamento, no valor de 30 000 euros, permitiu continuar os trabalhos iniciados em 2008 e sobretudo intervir em áreas novas. Assim se iniciou um difícil trabalho de intervenção ao longo da margem norte do ribeiro, entre a zona do Cambedo e a zona de confluência dos vales nºs 3, 4 e 5, uma área com troços de difícil acesso e em muito mau estado pela presença de mimosas. Mas também se realizaram intervenções nos vales nº 7 e 4, ambos também muito complicados devido à orografia do terreno e à carga vegetal (verde e seca) presente. Todas estas operações de corte foram seguidas por aplicações de herbicida na rebentação subsequente, aplicação também dificultada pelos materiais dispersos no solo, que em alguns casos tornavam as áreas completamente inacessíveis a operações posteriores de plantação de árvores ou outros trabalhos de manutenção. Por isso se realizaram algumas operações de queima controlada (vales nº 3, 5 e 7), que por outro lado tiveram o inconveniente de originar novas “ondas” de germinação de invasoras…

Em 2009 iniciou-se também um processo que não iria parar nos anos seguintes: a inclusão na área de intervenção do projecto de parcelas fora da mata da Altri Florestal (e do terreno adquirido pela Quercus em 2006). O motivo inicial para esse processo partiu da intenção de criar um corredor ecológico o mais contínuo possível ao longo de ambas as margens do ribeiro, e como a mata só em alguns troços o atingia, e só na margem norte, essa intenção não se podia materializar sem a integração de parcelas pertencentes a particulares. A maior parte das parcelas particulares na zona mais a montante do imaginado corredor eram antigas parcelas agrícolas de também antigos habitantes da aldeia desabitada de Belazaima-a-Velha. Depois de 25 anos de abandono encontravam-se completamente ocupadas por mimosas. Foi um trabalho laborioso o de identificar os proprietários, pois que muitas parcelas eram pequeníssimas, mas finalmente conseguiu fazer-se. Rapidamente se concluiu que a compra das parcelas era a solução geralmente requerida, embora também tenha havido cedências. Excepcionalmente, e no caso de apenas dois proprietários, não foi possível chegar a acordo. Assim, com um orçamento de um pouco mais de 20 000 euros se adquiriram entre 2009 e 2010 as parcelas que permitiram começar a construir o corredor ecológico, e realmente as intervenções desses anos já as incluiram. E sobretudo aqui, essas intervenções incluiram, depois da remoção possível da vegetação invasora, a plantação de árvores, numa paisagem delas quase desporvida. A operação iniciou-se em Janeiro de 2010 com uma memorável jornada voluntária realizada na zona da Ribeira do Tojo, mas de facto as plantações destes anos (2010 e 2011) foram também complementadas por equipas profissionais.