De 2012 em diante

Em 2012 iniciou-se um processo que seria imparável nos anos seguintes, mas sobretudo a partir de 2015, quando passavam 10 anos sobre o incêndio de 2005: os eucaliptais queimados no grande incêndio começavam a ser cortados, ao se completar um ciclo de exploração, processo ainda acelerado pelo temor provocado pela ocorrência de novos grandes incêndios, como tinha voltado a acontecer ainda em 2013 quando os grandes incêndios do Caramulo queimaram extensas áreas da antiga freguesia de Agadão, chegando a tocar a área de intervenção do projecto, no vale nº 1. Era a oportunidade, que não se repetiria pelo menos nos 10 anos seguintes, de aumentar a área de intervenção do projecto, prolongando o corredor ecológico ribeirinho, primeiro, ao longo do seu curso na mata da Altri, e depois, se possível, para além dela.

Esse processo, de uma significativa ousadia, correu bastante bem, pois ao longo de c. de 6 anos, foi possível estender o referido corredor ecológico por mais de 3 km, desde a entrada da mata, passando pela aldeia do Feridouro, a represa de Belazaima, as suas terras da Benfeita e das Várzeas, encontrando-se as últimas parcelas de intervenção já na zona da Lavandeira! Embora não se trate de um “corredor” totalmente contínuo em ambas as margens do ribeiro, aproxima-se muito, como se pode constatar pela carta actualizada da área de intervenção. Por outro lado, inclui áreas bastante extensas que não se podem em rigor considerar como pertencendo ao “corredor”, como a preciosa área do Vale de Barrocas e as áreas que já vinham a “germinar” desde 2005 no âmbito da criação da Quinta das Tílias, que viria a ser formalizada em 2016. De facto, é a Quinta a titular de praticamente todas essas áreas, o que necessariamente a tornou parceira do projecto, com ou sem formalidades. O facto de esta Quinta ser iniciativa e responsabilidade do coordenador do projecto não deveria criar dificuldades especiais… A Quinta é um projecto agro-florestal e está dentro dos seus objectivos também a criação de áreas de conservação, para além da produção. Mas a área que a Quinta considera ser vocacionada para renaturalização é demasiado vasta para o fazer sozinha. Incluir estas áreas no âmbito do projecto é uma forma de tornar estas áreas de interesse e usufruto público, ainda que de titularidade privada. Aliás, o mesmo já acontecia com as áreas dentro da mata da Altri.

É um facto absolutamente assumido que a inclusão de áreas que não estavam originalmente sob o “chapéu” do projecto, diminuiu a sua capacidade para intervir nas que estavam, na sua maior parte dentro da mata da Altri Florestal, mas também no terreno que a Quercus adquiriu em 2006. Apesar disso sempre ter sido bem claro, foi da total responsabilidade do coordenador do projecto a inclusão das novas áreas, decisão, naturalmente, cuja validade só muito mais tarde poderá ser devidamente apreciada.