Encostas da margem sul do ribeiro

Estas encostas fazem parte do “corredor ecológico ribeirinho” mas ultrapassam a ideia de um corredor estreito e comprido. A principal destas encostas é a que se desenvolve em torno do Vale de Barrocas, realmente um conjunto de vales muito próximos, vários deles com nascentes de água ainda em uso. Trata-se de encostas de elevado declive, antes com eucaliptal em exploração, mas em geral ainda sem replantações extensas. A proximidade entre os vales, os solos de qualidade acima da média face à generalidade dos solos florestais, a exposição, a ausência de mobilização, dão a esta zona um potencial elevado de um ponto de vista paisagístico.

A zona de Vale de Barrocas foi a primeira destas encostas a ser abordada, em 2016, tendo as toiças de eucalipto sido desvitalizadas por corte repetido dos seus rebentos, realizados por voluntários. Recebeu as primeiras plantações no Inverno de 2017, mas o incêndio de Abril desse ano destruiu-as quase totalmente. Seguiram-se sementeiras em 2017/18 e novamente plantações em 2018/19. A gestão do matagal é um desafio importante nesta zona. Esta área foi progressivamente alargada para finalmente incluir a “famosa” pequena mancha de carvalhos que resistiu ao incêndio de 2005.

Outras encostas de difícil intervenção foram incluídas entretanto, primeiro, a partir de 2016, nas zonas da Benfeita e do Vale da Estrela, já junto a Belazaima, nas Costas do Rio, junto ao Feridouro em 2019; no prolongamento do Vale de Barrocas em direcção ao Pé torto, em 2019; no Lousadelo/represa, uma encosta voltada para a represa de rega, também em 2019; no Vale da Várzea (poente), a partir de 2017 e no Cabeço da Lavandeira, bem voltado para Belazaima, desde 2019.

Estas encostas, em conjunto com as áreas que a Quinta das Tílias já vinha a reconverter desde 2006 (Vale da Várzea – nascente e Fonte do Porco, embora muito afectadas pelo incêndio de 2017), permitem antever a criação de uma grande (para os padrões locais) mancha de conservação numa zona estratégica da paisagem, maximizando o seu impacto dos pontos de vista paisagístico, ecológico, formativo, e mesmo lúdico.