Áreas ribeirinhas de intervenção mais recente

Nesta “categoria” inserem-se áreas que tiveram alguma intervenção desde 2014 e é com base nelas que se “desenha” o corredor ecológico ribeirinho, “espinha dorsal” da área de intervenção do projecto. A maior parte destas áreas têm declives elevados, só pontualmente interrompidos por pequenas várzeas. Só à passagem pela aldeia do Feridouro essas várzeas são mais extensas e ainda assim, só na margem norte. Todas essas áreas estavam severamente invadidas por mimosas, o que, tratando-se de zonas declivosas, às vezes tão declivosas que é difícil sequer percorrê-las, complica em muito a intervenção. Por isso o controlo das mimosas é ainda o desafio maior em 2019/20 em muitas dessas áreas. Destacam-se neste aspecto as margens do ribeiro ao longo da curva do rio conhecida como “Pé torto”, em muitíssimo mau estado, quase totalmente dependente da intervenção de equipas profissionais, e mesmo para estas de muito difícil intervenção.

A primeira destas áreas a ser alvo de intervenção, a partir de 2014, foi a faixa de terreno na margem norte do ribeiro, entre a entrada da mata da Altri e o Feridouro, numa extensão de cerca de 700 m, e entre o estradão e o ribeiro. É um mosaico de pequenas várzeas, encostas muito inclinadas e zonas quase rupícolas que se encontrava muito invadido com mimosas. Ainda conserva em 2020 uma pequena mancha muito densa de mimosas e eucaliptos que, pela dificuldade de acesso e de intervenção aí ficou para posterior resolução. A rebentação de eucaliptos foi parcialmente controlada com herbicida, mas a existência de muitas plantas espontâneas de espécies autóctones limitou o seu uso. Também se fizeram plantações mas quiçá mais de metade das plantas autóctones presentes resulta da recuperação das previamente existentes.

A recuperação desta área deixou pela primeira vez visível com carácter permanente a pequena mancha de carvalhos grandes existente na margem sul do ribeiro e que ganhou “fama” ao resistir ao incêndio de 2005. De facto, a mancha estende-se também para a margem norte e foi também afectada pelo incêndio de 2017, novamente sem grandes danos.

Nos anos seguintes, sobretudo a partir de 2016, os trabalhos “atravessaram” a aldeia do Feridouro e prolongaram-se por um estreito corredor na margem norte do ribeiro até à represa de Belazaima. Estreito mas de muito difícil intervenção, pelos elevadíssimos declives das suas encostas e pelo seu péssimo estado de conservação.